quinta-feira, 7 de maio de 2009

Meninos e meninas virgens ignoram pressão para transar logo e dizem aguardar a 'pessoa certa'

RIO - Ser ou não ser, eis a questão. Quatro décadas depois da revolução sexual, perder a virgindade não é mais consequência de subir ao altar, trocar alianças e seguir para a lua de mel. Há até quem leiloe a sua primeira vez. Que o diga a romena Alina Percea, de 18 anos, que vendeu a sua por cerca de R$ 33 mil, com a alegação de que precisa de dinheiro para pagar seus estudos. Pelo mesmo motivo, a americana Natalie Dylan, de 22 anos, ainda está recebendo propostas - que, ela diz, já chegaram aos milhões de dólares. Mas ainda há muita gente que dá outro valor à virgindade. Ignorando a pressão para transar logo, dizem aguardar a "pessoa certa".

É o caso do estudante de eletromecânica Diego Néri, de 18 anos. Quando tinha 16, rolaram oportunidades com a namorada da época, mas ele "achava que era coisa de adulto". Mesmo com a pressão dos amigos, ele diz que mal pensa em sexo. E nem passa por sua cabeça pagar para transar.

- Juro, eu sou tranquilo. Nem minha família acredita que eu sou virgem. Acho que a primeira vez é algo muito sério para ser com qualquer pessoa. Fora que tem um monte por aí que transa de graça, né? - brinca ele, que também terminou há pouco um namoro de oito meses. - Eu e ela tínhamos a mesma opção de esperar, até mesmo pela lua de mel. Apesar de não ter preconceito com as experientes, acho legal a ideia de ter uma mulher exclusiva.

Diego é exceção. Os brasileiros fazem sexo cada vez mais cedo: segundo dados de uma pesquisa do Ministério da Saúde de 2005, a média de idade da primeira relação dos meninos é 15 anos, e das meninas, 15,9. Mas, de acordo com outra pesquisa publicada pela Unesco, de 2006, 55% das meninas e 45% dos meninos de 15 a 29 anos, tiveram sua primeira vez com namorados(as).

" Há uma pressão social hoje em transar o mais cedo possível, e o senso geral é que a geração atual é promíscua "

- Há uma pressão social hoje em transar o mais cedo possível, e o senso geral é que a geração atual é promíscua. No entanto, por mais que os jovens comecem sua vida sexual mais cedo e tenham mais parceiros, ainda se valoriza muito a combinação de sexo com afetividade - diz a pesquisadora Mary Garcia Castro, uma das coordenadoras da pesquisa da Unesco.

Contrariando estatísticas, Renato Vasconcellos, de 26 anos, cursando pós-graduação, não está com tanta pressa. Ele terminou recentemente um namoro de um ano por conta da sua inexperiência e admite que sua timidez atrapalha na hora de tomar iniciativa.

- Quando tinha 20 anos, fiquei dois anos com uma garota de 16, mas não rolava clima. Minha última ex-namorada era mais experiente, mas ela já tinha sido a primeira de um cara e não gostou da experiência. Depois disso, desestimula, né? - conta, com as bochechas vermelhas. - Meus amigos me zoam, eu mesmo me zoo. Mas prefiro esperar por alguém de quem eu goste.

As amigas Taiane Sousa, Jessica Tranhagno, ambas de 18 anos e Patrícia Gomes, de 19, brincam que já estão "velhas" e dizem que tem gente que duvida da virgindade delas. Mas, é assim que elas pretendem ficar até achar alguém que "valha a pena".

- Já fui taxada de careta, mas já tive oportunidade com um namorado e não quis. O importante é a gente se sentir preparada - acredita Jessica.

Taiane diz que já passou pela sua cabeça se casar virgem:

- Não é algo que eu planeje. Tudo é uma questão de circunstância, ainda não tive nenhum relacionamento sério, por exemplo. Todo mundo espera a pessoa certa.

Já Patrícia acha que há uma cobrança excessiva em cima de meninos e meninas:

- Sexo está em todo lugar, e parece que é o que move o mundo. Eu não acho que é preciso esperar pelo amor da sua vida, mas é importante ter um mínimo de envolvimento com a pessoa. Tem gente que transa com qualquer um porque dá trela para a pressão e depois se arrepende.

Fonte: Jornal O Globo

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