sábado, 5 de junho de 2010

Time da paz no país da Copa

Duzentos e dez fiéis de igreja evangélica embarcaram para a África do Sul para promover ações sociais e esportivas em favelas de Joanesburgo. No grupo de voluntários há 25 cariocas, alguns novatos em missões internacionais


Rio - A Seleção de Dunga só estreia na Copa dia 15, contra a Coreia do Norte. Mas outro time de craques brasileiros já brilha nas terras sul-africanas. Liderados pelo pastor Marcos Brava, da Igreja Batista Central do Rio de Janeiro, 210 missionários do Projeto Conexão África — 25 deles, cariocas — desembarcaram no país do mundial. Na bagagem, o ideal de promover ações sociais nas favelas de Joanesburgo.
Voluntários evangélicos durante o embarque em São Paulo, terça-feira: para garantir a segurança de todos, fiéis moradores das áreas de risco vão escoltá-los durante as ações sociais | Foto: Divulgação

Formado por médicos, enfermeiros, dentistas, professores, músicos e até artistas circenses, o grupo promete levar um pouco de alegria à população carente da cidade. “Queremos usar a Copa como palco para praticar ações sociais, esportivas e educacionais. Nosso desejo é transmitir mensagem de paz, esperança e amor para os sul-africanos que sofrem com a miséria e a pobreza”, explicou o pastor.

O projeto reúne evangélicos voluntários de 150 igrejas espalhadas por 16 estados. Lá, brasileiros vão se unir a cristãos de países como EUA, Inglaterra, Austrália, Canadá e Coreia do Sul que também viajaram com o mesmo objetivo.

“Essa será uma experiência que vai mudar a vida de todos nós. Será uma missão que certamente nos fará enxergar o mundo de uma maneira diferente”, acredita a professora carioca Alessandra Vieira, 31 anos, convocada pela primeira vez para uma missão internacional. Incumbida de alegrar a criançada, a professora Kelly Cristina Nunes, 37, vai cuidar das oficinas de arte: “Vou distribuir balões, me vestir de palhaça, fazer brincadeiras e pintar o rosto da molecada”.

LUTA E DISCIPLINA

Professor de jiu-jítsu e boxe tailandês, Jean Márcio Coelho, 36 anos, era um dos mais empolgados. Ele embarcou quinta-feira de ônibus para São Paulo, de onde voou para a sede da Copa. “Me sinto como se estivesse voltando para as minhas origens”, conta ele, que vai dar aulas de artes marciais para crianças de Joanesburgo.

“Faremos trabalhos de recreação utilizando as artes marciais e seus ensinamentos. Além de despertar o interesse delas para o esporte, vamos dar aulas de defesa pessoal e transmitir as lições de disciplina e respeito que pautam as artes marciais”, explicou Jean, que até montará tatames.

Os missionários visitarão comunidades carentes em bairros como Diepsloot — onde vivem 150 mil pessoas — e Soweto, famoso foco de resistência ao apartheid e onde a Seleção treinou quinta-feira. Para garantir a segurança do grupo, líderes comunitários e representantes das igrejas evangélicas locais vão acompanhá-los.

Na equipe da Fifa, só 54 brasileiros

Além dos jogadores e dos missionários, o Brasil também estará representado na Copa do Mundo da África do Sul por 54 brasileiros. Eles foram convocados pela Fifa numa disputa acirrada. Ao todo, 62 mil pessoas se candidataram a uma vaga de voluntário no Mundial, mas só 21 mil foram selecionados: 80% são sul-africanos; 10% africanos de outros países; e 10% para candidatos do resto do mundo.

O gerente do Comitê Organizador da Fifa responsável pelos voluntários, Onke Mjo, explica que todos terão contato direto com o público. Eles vão recepcionar turistas nos aeroportos, ajudar os que não falam inglês e orientar torcedores nos estádios.

Fonte: Jornal O Dia

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