Rio - A Polícia Federal realiza uma operação nesta quarta-feira no Rio de Janeiro. O objetivo é desbaratar quadrilha acusada de vender e alugar vagas na fila de transplantes de fígado no Hospital Clementino Fraga Filho, na Ilha do Fundão, Zona Norte. Mais de mil pacientes esperam por um fígado no Rio, sendo 622 na fila do Fundão.
Durante quatro horas, agentes ficaram na casa do médico Joaquim Ribeiro Filho, na Rua Mário Portela 243, em Laranjeiras, Zona Sul. Ele, que foi preso, foi coordenador do Rio Transplantes no governo Rosinha Garotinho e teria beneficiado um parente de primeiro grau do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, aliado de Anthony Garotinho.
Os policiais apreenderam vários documentos no consultório do médico na Rua da Assembléia 10, 28º andar, no Centro da cidade, e os levou a sede, na Praça Mauá.
Em setembro, o médico Joaquim Ribeiro Filho, que coordenava a equipe de transplantes no Hospital do Fundão, foi suspenso cautelarmente por suspeita de desvio de órgão. Segundo o Diário Oficial da União, o médico Ricardo Refinetti deveria substitui-lo. Mas, por força de uma liminar, Ribeiro Filho manteve-se no cargo durante aquele mês.
O Hospital Clementino Fraga Filho se recupera de uma grave crise de desabastecimento. Dia 12 de maio, a direção da unidade comunicou a suspensão de procedimentos de alta complexidade, como os transplantes. Três dias depois, alunos, médicos e residentes fizeram uma manifestação para tentar evitar o fechamento da unidade. Uma das reivindicações do Fundão era que o Ministério da Educação (MEC) assumisse os salários de terceirizados, como seguranças, calculado em R$ 1,3 milhão. Além disso, queria reajuste no orçamento, que não há desde 2004.
Segundo o diretor, a dívida chega a R$ 10 milhões. Em junho, o MEC acertou o repasse de R$ 800 mil mensais disponibilizados até o fim de 2008. Dia 19 de junho, foi assinado um acordo com o estado. Além de equipamentos, insumos e exames laboratoriais, a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil se comprometeu a doar um tomógrafo e propôs a criação de uma comissão formada por representantes dos quatro hospitais universitários do Rio para estudar alternativas de financiamento.
Os policiais cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em pelo menos outros 11 locais.
Fonte: Jornal O Dia
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